Você não precisa compreender. Ou saber os motivos. Você não precisa concordar. Também não precisa ser educado e dizer que vai sentir falta. Não precisa me elogiar ou dizer que já era hora. Das boas virtudes de um homem, admiro em especial, aquela uma quando algum movimento gera uma decisão. Aquela uma da percepção. Quando o vento muda e ele percebe. Quando encontra no silêncio, material para falar sobre. Quando é capaz de emergir porque do lado de fora a vida parece menos sufocante. Dessa colcha imensa, retalhos me agradam e me enfeitiçam. Mínimos que fazem a diferença. Mínimos que passam muitas vezes sem que os percebamos. E eu sou fã do micro. Eu me identifico com o pequeno. Admiro o poder e a grandeza do que ele é capaz de gerar. Por isso eu te digo seguramente que você não precisa tentar compreender. Porque na soma dos meus grãos, eu percebi que o vento mudou a direção. E me apontou um novo caminho.
Hoje eu fecho as portas. Ciente da aventura que foi manter esse espaço por cinco anos. Consciente do amadurecimento do meu olhar, do meu caminhar, dos meus passos ora largos ora rasos. Escrever é viajar para dentro e tentar não se perder. Feliz porque conheci pessoas que eu quero carregar na mochila. Pessoas que estão espalhadas pelo mundo e que eu tive a oportunidade de ouvir e me fazer ouvir simplesmente por arriscar escrever usando a ferramenta da internet. Gente que eu não vou esquecer. Que estiveram aqui pertinho para um abraço, um café e trocas fundamentais. Pessoas que nunca estiveram aqui fisicamente, mas que todos os dias arriscaram novas conversas e abriram seus corações porque confiança é com o tempo e é dos dias. Seguro porque perceber a hora de seguir adiante é uma descoberta valiosa que não dói, quando verdadeira. Com alguns planos de voltar a escrever o mais breve possível. E com a sensação grata de missão cumprida, verdadeiramente cumprida ao encerrar esses anos de intimidade compartilhada.
Muito do que escrevi, eu vivi. Algumas vezes, de maneira literal, sem mudar a vírgula ou as pausas. Outras vezes, adaptei as situações e as tornei interessantes para que se tornassem públicas. Não me lembro de ter inventado nenhuma atmosfera. Não me lembro de ter criado personagens que não existiram. O interessante para mim sempre foi a brincadeira entre o real e o imaginado. O percurso dessa ponte foi o que sempre me interessou, apesar de admirar quem tem o poder de criar vida sem ter experimentado o mergulho. Eu não sou desses homens. Preciso do salto. E do perigo.
Deixo um pedido: deixem seus contatos nos comentários. Eles serão importantes para que eu os comunique dos desdobramentos dessa estrada. Em breve, depois de um necessário descanso, eu retomo aos carinhos e pancadas das palavras. Com nova roupa, novo endereço - divulgado aqui - abrindo a página de um novo livro. Exercitando, mais uma vez a parceria com o cinema. Mais leve, por opção - e sinto que será um longo desafio - e cuidando daquele retalho da colcha que tanto me interessa: os meus mínimos óbvios. Dos quais não abro mão e recomendo docemente.
Se existe algum texto que você gosta e quer guardar, aproveite porque o conteúdo do blog fica disponível até o início de fevereiro.
Sinceramente, foi um prazer. Dos que eu não vou esquecer.
Obrigado pela companhia. E pela cumplicidade.
postado por EGÍDIO LA PASTA JUNIOR, às 00:02
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